Equipe de profissionais de cibersegurança monitora sistemas de computador em uma sala de operações.

Brasil testa defesa cibernética do setor nuclear em exercício com 1,3 mil participantes

Redação Jornal Alvo
6 Min de leitura

O Brasil testou, entre 21 e 25 de setembro de 2026, a capacidade de resposta a incidentes cibernéticos capazes de afetar infraestruturas críticas. A avaliação ocorreu durante o Exercício Guardião Cibernético 8.0, coordenado pelo Comando de Defesa Cibernética, sob responsabilidade do Ministério da Defesa, com atividades em Brasília e em outros cinco estados.

De acordo com o Ministério da Defesa, a iniciativa reuniu cerca de 1.300 participantes, 300 organizações e representantes de 14 países. O treinamento envolveu setores estratégicos como energia, transporte, recursos hídricos, comunicações, biossegurança e economia.

A participação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) acrescentou ao exercício cenários voltados ao setor nuclear, incluindo uma simulação relacionada aos pequenos reatores modulares, conhecidos pela sigla SMR. A proposta foi observar como órgãos públicos, empresas, instituições acadêmicas e forças de segurança reagiriam de forma coordenada diante de uma crise cibernética.

Setor nuclear participou de cenários inéditos

Segundo a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, o treinamento não se limitou à atuação técnica de profissionais de tecnologia da informação. Também foram avaliados processos de gestão, tomada de decisão, comunicação institucional e manutenção de serviços essenciais durante uma situação de emergência.

O recorte é relevante porque sistemas digitais estão presentes em diferentes etapas de atividades estratégicas, desde o monitoramento e o controle operacional até a comunicação entre instituições. Uma interrupção pode produzir efeitos sobre a geração de energia, a produção de radiofármacos e outros serviços relacionados ao setor nuclear, ampliando a necessidade de planejamento preventivo.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear também informou sua participação no Guardião Cibernético 8.0. A realização simultânea de atividades em diferentes cidades permitiu testar a articulação entre instituições distribuídas pelo território brasileiro, aspecto importante para uma resposta que não dependa de um único centro de operação.

Como funcionaram as simulações

O exercício combinou dois tipos principais de atividade. As simulações construtivas foram direcionadas à gestão da crise e à tomada de decisão, permitindo avaliar os procedimentos adotados por dirigentes e equipes responsáveis pela coordenação das respostas.

Já as simulações virtuais concentraram-se na atuação técnica dos profissionais de tecnologia da informação. Nesse ambiente, os participantes puderam exercitar medidas de identificação, contenção e resposta a incidentes, além da comunicação necessária entre os envolvidos na proteção dos serviços considerados essenciais.

O objetivo foi avaliar a prevenção, a resposta, a comunicação e a continuidade das atividades diante de ataques cibernéticos. Portanto, o Guardião Cibernético 8.0 foi uma ação de preparação: não se tratou de um ataque real nem de uma ocorrência de contaminação nuclear.

Infraestruturas críticas exigem resposta coordenada

A dimensão do exercício mostra que a segurança cibernética no Brasil depende da cooperação entre diferentes áreas do governo e da economia. Além do setor nuclear, a programação envolveu estruturas ligadas à energia, ao abastecimento de água, ao transporte, às comunicações e à biossegurança, segmentos cuja interrupção pode afetar diretamente a população e o funcionamento de serviços públicos e privados.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico participou da iniciativa com foco na proteção do espaço cibernético brasileiro e das infraestruturas críticas. A presença de órgãos reguladores e entidades de diferentes setores permite comparar procedimentos, identificar pontos de dependência e aperfeiçoar os canais de comunicação usados em uma crise.

Para a ANSN, a experiência também se relaciona ao avanço das regras específicas de proteção digital no setor nuclear. A autarquia informou que prepara uma nova resolução sobre segurança cibernética, atualmente em consulta pública. A medida busca estabelecer referências próprias para um segmento que, segundo a autoridade, ainda não possui regulamentação específica sobre o tema.

Exercício não substitui medidas permanentes

Treinamentos como o Guardião Cibernético ajudam a revelar dificuldades que podem não aparecer em operações rotineiras. Entre os pontos observados estão a velocidade de comunicação, a clareza das responsabilidades, a capacidade de manter serviços essenciais e a integração entre equipes técnicas e responsáveis pela tomada de decisão.

No caso do setor nuclear, essa preparação ganha importância por envolver atividades com impacto potencial sobre energia, saúde, indústria e pesquisa. A realização de cenários envolvendo pequenos reatores modulares também amplia o debate sobre como novas tecnologias devem ser incorporadas aos procedimentos de proteção e resposta.

O exercício realizado em setembro de 2026, contudo, representa uma etapa de avaliação e aperfeiçoamento, e não uma garantia de imunidade contra ataques. A continuidade de investimentos, a atualização de normas e a cooperação entre instituições permanecem necessárias para fortalecer a resiliência das infraestruturas críticas brasileiras.

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