Valdoir Slapak

Due diligence financeira: o que revela antes de uma fusão ou aquisição?

Diego Velázquez
5 Min de leitura
Valdoir Slapak

A due diligence financeira é uma das etapas mais subestimadas em processos de fusão ou aquisição, especialmente quando a pressão para fechar negócio rapidamente leva à redução do escopo dessa análise crítica. Valdoir Slapak, executivo com atuação em administração e finanças, sócio da Fource Consultoria, acompanha empresas que enfrentam consequências financeiras relevantes justamente por não terem investigado a fundo a empresa adquirida antes da conclusão do negócio. 

Uma due diligence superficial pode deixar passar passivos ocultos, contingências relevantes ou distorções em indicadores que mudam completamente a avaliação de um negócio, comprometendo de forma significativa a viabilidade financeira da transação no médio e longo prazo. Explicamos neste artigo o que uma due diligence financeira bem conduzida revela e por que ela deveria anteceder qualquer decisão de fusão ou aquisição.

O que é due diligence financeira e por que ela vai além da análise de balanços?

A due diligence financeira consiste em uma investigação detalhada da situação financeira real da empresa-alvo, verificando se os números apresentados refletem, de fato, a operação e os riscos do negócio como um todo. A investigação envolve analisar não apenas balanços e demonstrações de resultado, mas também contratos, litígios em curso, obrigações tributárias e a qualidade dos controles internos da empresa, funcionando como parte central da gestão de riscos de qualquer transação relevante.

Segundo Valdoir Slapak, muitas empresas tratam a due diligence como uma simples conferência de números já auditados, quando, na verdade, ela deveria questionar a origem e a consistência desses números, especialmente em empresas com governança financeira menos estruturada e processos de controle interno pouco maduros ou ainda em fase de amadurecimento.

Passivos ocultos: o que uma due diligence rigorosa costuma revelar?

Passivos trabalhistas não provisionados, contingências fiscais discutidas informalmente, garantias concedidas a terceiros e obrigações contratuais pouco documentadas estão entre os achados mais comuns em processos de due diligence mais aprofundados, e frequentemente não aparecem de forma explícita nos demonstrativos financeiros divulgados pela empresa-alvo durante a negociação.

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Conforme destaca Valdoir Slapak, a ausência desse tipo de descoberta durante a due diligence não significa necessariamente que os passivos não existam, mas sim que a investigação não foi suficientemente profunda para identificá-los antes da conclusão do negócio, o que reforça a importância de dedicar tempo e recursos adequados a essa etapa crítica do processo.

Como a due diligence financeira impacta a negociação do valor da empresa?

Achados relevantes durante a due diligence costumam embasar ajustes no valor da transação, seja por meio de redução de preço, retenção de parte do pagamento condicionada a garantias futuras, ou inclusão de cláusulas específicas de indenização caso contingências identificadas se materializem após o fechamento do negócio.

Empresas que negociam sem considerar esses achados tendem a assumir riscos que deveriam, no mínimo, estar refletidos no preço final pago pela aquisição, comprometendo o retorno esperado da operação nos anos seguintes à transação e, em alguns casos, exigindo aportes adicionais de capital não previstos originalmente no planejamento financeiro da aquisição, o que reduz significativamente a atratividade do negócio depois de fechado.

Estruturando um processo de due diligence financeira eficaz

Um processo eficaz de due diligence combina análise documental extensa com entrevistas a gestores-chave da empresa-alvo, permitindo confrontar o que está registrado formalmente com a percepção de quem efetivamente opera o negócio no dia a dia da operação.

Valdoir Slapak reforça que devem ser reservados tempo e recursos suficientes para esse processo, mesmo sob pressão de prazos comerciais, já que uma due diligence apressada tende a custar muito mais caro no futuro do que o tempo economizado durante a negociação inicial da transação.

Documentar formalmente cada etapa da due diligence, incluindo pontos que não puderam ser totalmente esclarecidos até o fechamento do negócio, também ajuda a sustentar eventuais negociações futuras caso contingências não identificadas venham a se materializar após a conclusão da transação, protegendo a empresa compradora de disputas contratuais posteriores e custosas.

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