O transporte público, a organização dos cuidados e a distribuição da renda estão entre os temas reunidos em uma agenda apresentada pela coalizão Vida em Conta nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026. Formada por cerca de 70 organizações da sociedade civil e aproximadamente 140 economistas, a articulação divulgou o documento “10 Propostas para um Novo Ciclo de Desenvolvimento no Brasil”.
O material será encaminhado às campanhas dos dois candidatos que disputarão o segundo turno da eleição presidencial. A iniciativa busca colocar no debate medidas voltadas à redução das desigualdades, à melhoria da qualidade de vida e à formulação de políticas públicas em diferentes áreas. A apresentação, portanto, funciona como uma contribuição da sociedade civil ao processo eleitoral, sem representar, até o momento, compromisso formal das campanhas com as sugestões.
Segundo a Agência Brasil, as propostas foram organizadas para orientar um novo ciclo de desenvolvimento no país. O conteúdo abrange economia, trabalho, mobilidade urbana, cuidados, meio ambiente, segurança alimentar e desenvolvimento tecnológico, áreas que afetam diretamente a rotina de trabalhadores, famílias, usuários do transporte coletivo e contribuintes.
Mobilidade urbana e acesso a serviços
Uma das medidas apresentadas é a criação de um Fundo Nacional de Mobilidade Urbana. A proposta prevê a possibilidade de implantação progressiva da tarifa zero, tema relacionado ao custo do deslocamento e ao acesso da população a serviços, empregos e oportunidades nas cidades.
O documento não trata apenas do preço pago pelo passageiro, mas insere a mobilidade em uma discussão mais ampla sobre qualidade de vida e desigualdade. Ao sugerir uma estrutura nacional de financiamento, a coalizão coloca em debate como o transporte público pode ser sustentado e ampliado, especialmente para pessoas que dependem diariamente dos sistemas urbanos.
Política nacional de cuidados
Outra frente destacada é a formulação de uma política nacional de cuidados. Entre os exemplos citados estão creches e centros de atendimento, equipamentos que podem apoiar famílias e dividir responsabilidades hoje concentradas nos domicílios.
A proposta relaciona o cuidado a uma política pública estruturada, em vez de tratá-lo apenas como uma necessidade privada. Na prática, o tema alcança famílias com crianças, pessoas que necessitam de atendimento e trabalhadores responsáveis por atividades de cuidado. A agenda também inclui medidas ligadas ao trabalho, ampliando o alcance do debate sobre como o tempo e a renda são organizados no país.
Tributação, trabalho e desenvolvimento
No campo econômico, a Vida em Conta propõe a revisão de subsídios e incentivos fiscais, além do aumento da tributação efetiva sobre os mais ricos. As medidas são apresentadas como parte de uma estratégia para enfrentar desigualdades e discutir a forma como recursos públicos e carga tributária são distribuídos.
O conjunto também aborda a regulamentação do fim da escala de trabalho 6×1. O tema envolve a organização das jornadas e aparece ao lado de propostas para agricultura familiar, transição para uma economia de baixo carbono e desenvolvimento tecnológico. A variedade de assuntos indica que o documento pretende articular renda, condições de trabalho, produção e sustentabilidade em uma mesma agenda nacional.
Na área ambiental e alimentar, as sugestões incluem iniciativas relacionadas à agricultura familiar e à mudança para uma economia de baixo carbono. Já o eixo tecnológico integra o conjunto de políticas defendido pela coalizão, embora a divulgação da pauta não detalhe, no material consultado, medidas específicas para cada uma dessas frentes.
Documento será enviado às campanhas
O próximo passo informado é o encaminhamento das 10 propostas às campanhas dos dois candidatos que estarão no segundo turno. A entrega coloca o documento à disposição das equipes eleitorais e abre espaço para que os temas sejam considerados nos programas, nas manifestações públicas ou nas prioridades apresentadas durante a disputa.
A apresentação ocorre em um momento de definição do debate presidencial, mas a iniciativa não atribui adesão prévia a nenhum dos candidatos. O conteúdo deve ser lido como uma plataforma elaborada por organizações da sociedade civil e economistas, com recomendações que abrangem políticas de transporte, cuidados, tributação, trabalho, segurança alimentar, meio ambiente e tecnologia.
Para o eleitor, a agenda oferece um parâmetro de comparação sobre assuntos que impactam o cotidiano e a atuação do Estado. A avaliação das propostas dependerá, posteriormente, das posições assumidas pelas campanhas e da forma como cada medida poderá ser transformada em política pública.
