Yuri Silva Portela

Doença diverticular no idoso: o que é, quando os divertículos inflamam e como prevenir com a alimentação?

Diego Velázquez
6 Min de leitura
Yuri Silva Portela

Conforme esclarece o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a doença diverticular do cólon é uma das condições digestivas mais prevalentes na terceira idade e uma das que mais frequentemente passam sem diagnóstico até que uma complicação mais grave force a investigação. Estima-se que mais de 50% dos adultos acima de 60 anos apresentem divertículos no intestino grosso, pequenas bolsas que se formam na parede do cólon quando ela cede em pontos de maior fragilidade. A maioria nunca saberá que os tem, mas uma parcela significativa desenvolverá inflamação, sangramento ou perfuração que exigirá tratamento urgente.

Vamos descobrir o que está por trás de uma das condições digestivas mais comuns e menos discutidas da terceira idade.

O que são os divertículos e como se formam no idoso?

Os divertículos são pequenas protrusões da mucosa intestinal que se formam em pontos de menor resistência da parede do cólon, geralmente onde os vasos sanguíneos a atravessam. Sua formação está diretamente relacionada ao aumento da pressão dentro do intestino, produzida principalmente pela necessidade de contrair mais intensamente as paredes do cólon para mover fezes de menor volume e consistência inadequada. Afinal, décadas de alimentação pobre em fibras e ingestão insuficiente de água criam as condições ideais para que essa pressão se acumule e os divertículos se formem progressivamente.

Como detalha Yuri Silva Portela, o envelhecimento contribui para a formação dos divertículos por dois mecanismos adicionais: a musculatura da parede intestinal perde tônus e resistência com a idade, tornando-se mais suscetível às protrusões, e a motilidade intestinal reduzida prolonga o tempo de trânsito do conteúdo fecal, aumentando o tempo de exposição da parede às pressões internas. Esses fatores explicam por que a prevalência de divertículos aumenta de forma tão expressiva com a idade, sendo rara antes dos 40 anos e extremamente comum após os 70.

Quando os divertículos inflamam e como reconhecer a diverticulite?

A diverticulite ocorre quando um ou mais divertículos inflamam, geralmente por obstrução de seu orifício por material fecal que favorece a proliferação bacteriana local. Essa inflamação pode ser leve e responder bem ao tratamento clínico com antibióticos e repouso intestinal, ou pode evoluir para abscesso, perfuração ou peritonite, complicações que exigem internação hospitalar e frequentemente cirurgia de urgência.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Na avaliação de Yuri Silva Portela, o idoso com diverticulite tipicamente apresenta dor no quadrante inferior esquerdo do abdome, febre, náusea e alteração do hábito intestinal. No entanto, a apresentação pode ser atípica na terceira idade: a dor pode ser menos intensa do que em adultos jovens com o mesmo grau de inflamação, e a febre pode estar ausente mesmo em casos moderados a graves, o que torna o diagnóstico mais difícil e atrasa o tratamento adequado.

O que muda na alimentação para prevenir as complicações?

A alimentação tem papel central tanto na prevenção da formação de novos divertículos quanto na redução do risco de diverticulite em quem já os tem. O aumento da ingestão de fibras solúveis e insolúveis é a intervenção dietética com maior evidência de benefício: as fibras aumentam o volume fecal, reduzem a pressão intraluminal e aceleram o trânsito intestinal, atacando diretamente os mecanismos que favorecem a formação e a complicação dos divertículos.

Conforme ressalta Yuri Silva Portela, a hidratação adequada é igualmente fundamental e frequentemente negligenciada: as fibras só exercem seu efeito protetor quando acompanhadas de ingestão hídrica suficiente, pois, sem água adequada, elas podem paradoxalmente aumentar a consistência das fezes e a pressão intestinal. Por isso, o idoso que aumenta a ingestão de fibras sem aumentar proporcionalmente a ingestão de água pode piorar o quadro em vez de melhorá-lo.

Mitos sobre alimentação e divertículos que precisam ser desmistificados

Durante décadas, médicos orientaram pacientes com divertículos a evitar sementes, castanhas, pipoca e alimentos com pequenas partículas, com a crença de que essas partículas poderiam se alojar nos divertículos e causar inflamação. Estudos mais recentes contradizem essa orientação: não há evidência científica de que sementes ou castanhas aumentem o risco de diverticulite, e a restrição desses alimentos priva o idoso de fontes importantes de fibras, gorduras saudáveis e micronutrientes.

Yuri Silva Portela pontua que a orientação dietética baseada em evidências para o idoso com doença diverticular é simples e sustentável: aumentar progressivamente a ingestão de frutas, vegetais, leguminosas e grãos integrais, manter hidratação adequada ao longo do dia e manter atividade física regular para estimular a motilidade intestinal. Essas medidas, adotadas com consistência, reduzem significativamente o risco de complicações sem exigir restrições alimentares desnecessárias que comprometem a qualidade de vida do idoso.

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