Convenções partidárias começam e vão definir os candidatos às eleições de 2026 até 5 de agosto

Diego Velázquez
9 Min de leitura

Lula deve ser confirmado como candidato à reeleição em 2 de agosto, enquanto PL oficializa Flávio Bolsonaro no dia 25 de julho.

O calendário eleitoral de 2026 entrou em uma fase decisiva nesta segunda-feira, 20 de julho, com o início do período de convenções partidárias em todo o país. Até 5 de agosto, partidos e federações precisam realizar seus encontros oficiais para definir candidatos, aprovar coligações e sortear os números de urna que serão usados na disputa de outubro. A etapa marca a transição da fase de pré-candidaturas, quando nomes eram apenas especulados ou anunciados informalmente, para a confirmação oficial de quem efetivamente vai disputar os cargos em jogo neste ano.

Para o eleitor que acompanha o processo de fora, uma dúvida comum surge justamente nesse momento: qual é a diferença entre um pré-candidato e um candidato oficial, e por que essa formalização importa tanto para o andamento da campanha? A resposta está diretamente ligada às regras da Justiça Eleitoral, que exigem a passagem pelas convenções partidárias como condição obrigatória para que qualquer candidatura seja registrada e, mais adiante, para que a propaganda eleitoral comece a valer.

O que muda com as convenções partidárias

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a convenção é o ato formal em que partidos e federações escolhem oficialmente seus candidatos aos cargos em disputa e decidem sobre a formação de coligações estaduais. Neste ano, o eleitorado vai às urnas para escolher presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador, com duas vagas por estado, além de deputados federais e estaduais ou distritais. As convenções nacionais definem os nomes para os cargos do Executivo federal, enquanto as convenções estaduais tratam da disputa para os demais cargos.

Depois de realizadas as convenções, os partidos precisam solicitar o registro oficial das candidaturas na Justiça Eleitoral, procedimento que pode ser feito até 15 de agosto. Somente após esse registro é que os nomes escolhidos nas convenções passam a ser reconhecidos formalmente como candidatos pela legislação eleitoral, ainda que a campanha, com pedido explícito de voto, só possa começar oficialmente também em 15 de agosto. Até lá, mesmo depois de homologados nas convenções, os concorrentes continuam proibidos de pedir votos de forma direta.

Os encontros partidários podem ocorrer em formato presencial, virtual ou híbrido, e cada legenda segue as regras do próprio estatuto para a escolha e substituição de nomes, sempre dentro dos parâmetros definidos pela Justiça Eleitoral. Segundo especialistas em direito eleitoral, o cumprimento rigoroso dessas regras internas é essencial para evitar a nulidade das convenções ou futuras impugnações das chapas registradas, o que reforça a importância de cada partido seguir seu próprio regimento com atenção redobrada neste período.

Como ficam as candidaturas à Presidência da República

Entre as siglas que já confirmaram pré-candidatos ao Planalto, o PT anunciou para 2 de agosto, em São Paulo, o evento que deve confirmar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato à reeleição, tendo Geraldo Alckmin como vice na chapa. Como o PT integra a Federação Brasil da Esperança, ao lado do PCdoB e do PV, a decisão eleitoral da aliança deve ser formalizada de maneira unificada, conforme determina o TSE para o caso de federações partidárias.

Do outro lado do espectro político, o PL confirmou que sua convenção nacional vai homologar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência no dia 25 de julho. Outras legendas também já divulgaram seus pré-candidatos ao cargo, como o PSD, com Ronaldo Caiado, o Novo, com Romeu Zema, o PRTB, com Leonardo Avalanche, além de partidos menores como Missão, com Renan Santos, UP, com Samara Martins, e PSTU, com Hertz Dias. Avante e PCB também já lançaram formalmente seus nomes, com o escritor Augusto Cury pelo Avante e Edmilson Costa pelo PCB, tendo Cleusa Santos como pré-candidata a vice.

Pesquisas eleitorais recentes indicam que o atual presidente segue à frente de Flávio Bolsonaro em todos os levantamentos conhecidos até o momento, tanto em cenário de primeiro quanto de segundo turno, embora a distância entre os dois nomes possa se alterar conforme a campanha avança e novos institutos divulguem pesquisas ao longo do segundo semestre. Outras siglas, como PSDB, Podemos, Progressistas, União Brasil e Solidariedade, ainda não haviam divulgado publicamente o calendário de suas convenções nacionais até a última verificação, o que significa que a lista de presidenciáveis pode se ampliar nas próximas semanas.

O impacto do calendário eleitoral nos estados

Além da disputa presidencial, o mesmo período de convenções também define os candidatos a governador em cada estado, o que já movimenta legendas regionais em paralelo às articulações nacionais. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o PDT já confirmou para o dia 25 de julho a convenção que deve oficializar Juliana Brizola como candidata ao governo estadual, enquanto o PSDB marcou para 30 de julho o evento que deve confirmar o ex-prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, como pretendente ao cargo. Outras siglas gaúchas, como MDB, PP e PSD, também já definiram datas entre 1º e 2 de agosto para seus respectivos encontros.

Em São Paulo, o cenário para o governo estadual segue mais indefinido, já que o atual governador Tarcísio de Freitas ainda não confirmou se disputa a reeleição ou se tenta uma candidatura à Presidência, decisão que, segundo a legislação eleitoral, precisaria ser tomada com antecedência mínima em relação ao pleito. Caso opte por concorrer a outro cargo que exija desincompatibilização, o prazo legal para deixar o governo já teria vencido em abril, o que reforça a tendência de que ele permaneça na disputa estadual. Outros nomes cotados para o governo paulista incluem Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Ricardo Nunes e Erika Hilton, entre outros pré-candidatos que aguardam a definição de suas legendas.

A concentração de convenções em um período de pouco mais de duas semanas reflete a rigidez do calendário eleitoral brasileiro, que exige que todo o processo de definição de candidaturas, alianças e números de urna esteja concluído antes do início oficial da propaganda eleitoral. Para os partidos, isso significa uma corrida contra o tempo para fechar acordos regionais e nacionais, especialmente em federações que precisam alinhar posições entre diferentes legendas antes de formalizar qualquer decisão.

Com o prazo se encerrando em 5 de agosto e o registro das candidaturas podendo ser feito até 15 de agosto, o mês de agosto deve concentrar boa parte da movimentação política formal deste ciclo eleitoral, servindo como uma espécie de largada oficial para a disputa de outubro. A expectativa entre analistas políticos é que, a partir da confirmação das candidaturas, o debate eleitoral ganhe contornos mais concretos, com propostas de governo e alianças já definidas substituindo as especulações que dominaram o noticiário político no primeiro semestre do ano.

Fontes:
Tribunal Superior Eleitoral: https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Julho/eleicoes-2026-convencoes-partidarias-para-escolha-de-candidatos-comecam-na-segunda-20
CartaCapital: https://www.cartacapital.com.br/politica/saiba-quando-cada-partido-fara-sua-convencao-para-definir-os-candidatos-nas-eleicoes/
Metrópoles: https://www.metropoles.com/brasil/eleicoes-2026-presidenciaveis-definem-datas-das-convencoes-confira

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