Franco Douglas Lima Dias

Inclusão começa pela saúde: o que o Projeto Visão em Dia ensina sobre atender quem o sistema deixa para trás

Diego Velázquez
5 Min de leitura
Franco Douglas Lima Dias

No debate sobre inclusão escolar no Brasil, a dimensão da saúde preventiva raramente aparece com a centralidade que merece. Discute-se acessibilidade física, adaptações pedagógicas e formação de professores, mas pouco se fala sobre o que acontece quando uma criança não consegue enxergar o quadro e ninguém ao redor sabe disso. O Projeto Visão em Dia, programa do Instituto Visão Conectada idealizado por Franco Douglas Lima Dias, parte exatamente desse ponto cego do sistema para construir uma intervenção que alcança quem as políticas convencionais deixam para trás.

O programa já ultrapassou 5 mil atendimentos em 18 unidades de ensino da região do Alto Tietê e chegou a ambientes que concentram os alunos com maior dificuldade de acesso a serviços de saúde ocular: escolas de periferia, instituições estaduais e a APAE de Ferraz de Vasconcelos. Em cada um desses ambientes, o Visão em Dia encontrou casos que o sistema não havia identificado e entregou correções que o sistema não havia fornecido.

O que significa incluir a saúde ocular na agenda da inclusão escolar?

Incluir a saúde ocular na agenda da inclusão escolar significa reconhecer que uma criança que não enxerga adequadamente não está em condições de igualdade dentro da sala de aula, independentemente de qualquer outra adaptação que tenha sido feita em seu favor. A correção visual não é um benefício complementar ao direito de aprender. É uma condição para que esse direito seja exercido de forma real.

Para Franco Douglas Lima Dias, essa compreensão está na base do Projeto Visão em Dia. O programa não foi criado como uma iniciativa de saúde separada da educação. Foi criado com a consciência de que saúde ocular e aprendizado são dimensões do mesmo direito, e que garantir uma sem a outra é deixar o trabalho pela metade.

Quem são os alunos que o sistema deixa para trás?

Os alunos que chegam ao Projeto Visão em Dia sem nenhum histórico oftalmológico compartilham um perfil: são crianças de famílias sem condições de acessar consultas particulares, que dependem de um sistema público que não oferece triagem visual preventiva de forma sistemática e que estudam em escolas onde nenhum mecanismo de identificação de problemas visuais existe.

Franco Douglas Lima Dias
Franco Douglas Lima Dias

Nas ações realizadas pelo programa, esse perfil aparece com uma regularidade que documenta o tamanho da lacuna existente. A diretora da APAE de Ferraz de Vasconcelos, Lara Benute, resumiu com precisão o que o programa encontrou naquela instituição: “Todos os alunos que foram beneficiados não tinham condições financeiras para pagar uma consulta.” Multiplicada por cada escola e instituição ainda não atendida, essa frase descreve um problema de escala nacional.

O que o modelo do Visão em Dia ensina sobre como chegar a quem o sistema não alcança?

A lógica do Projeto Visão em Dia parte de uma constatação simples: se o sistema não chega até essas crianças, alguém precisa ir até elas. O programa não espera que as famílias superem as barreiras que as impedem de acessar o serviço. Vai até as escolas, elimina cada obstáculo que poderia impedir o atendimento e entrega a correção no mesmo dia do diagnóstico.

Conforme aponta a trajetória do Instituto Visão Conectada, Franco Douglas Lima Dias construiu esse modelo com a compreensão de que chegar a quem o sistema deixa para trás exige mais do que boa intenção. Exige estrutura, consistência e a disposição de ir até onde a demanda está, mesmo quando isso é mais trabalhoso do que esperar que ela chegue até você.

O que o Projeto Visão em Dia deixa como aprendizado para políticas de inclusão?

A experiência acumulada pelo Projeto Visão em Dia ao longo de mais de 5 mil atendimentos oferece um conjunto de aprendizados que vão além do alcance de um único programa. O mais importante deles é que a triagem visual dentro das escolas públicas é viável, necessária e capaz de identificar condições que nenhum outro mecanismo do sistema consegue encontrar com a mesma capilaridade.

Para Franco Douglas Lima Dias, cada atendimento realizado pelo Visão em Dia é também um argumento concreto de que incluir a saúde ocular na agenda da inclusão escolar não é uma utopia. É uma escolha que já está sendo feita, com resultados documentados, em cada uma das 18 unidades que o programa já contemplou.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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